Vizinho, Vizinha. Quem és tu??!!


O olhar sobre o livro infantil do autor Roger Mello, define uma história contemporânea que pode ser considerada um recorte proveniente de uma ilustração. O universo configura os processos de iniciação do indivíduo nas convenções sociais, que inclui uma representação textual e visual.

As ilustrações são exploradas na história revela o que une e o que separa as pessoas nas metrópoles. A intimidade de um “quase” casal é exposta, cercados por um ambiente moderno a solidão é identificada nitidamente dentro de um ambiente que aparentemente é tumultuado e mesmo assim capaz de reproduzir momentos solitários. Pessoas tão próximas, mas distantes pelas mazelas e que pouco conhecem a respeito do outro. Na Rua do Desassossego, 38, a vizinhança é bem tranqüila. No apartamento 101 mora um moço que vive sossegademente enquanto no apartamento 102 mora uma moça é hiperativa. Eles se encontram ao final da tarde, quando se encontram no hall do prédio trocam cumprimentos e falam sobre o tempo. Logo em seguida, seguem suas vidas para logo, encontrarem o isolamento.

O titulo Vizinho, Vizinha soa uma espécie de afinidade pelo fato de morar perto como se levasse uma aproximação, o que na verdade não acontece em cidades metropolitanas, características de antítese. Ou seja, há um questionamento, ser vizinho é ser intimo de alguém ou pelos menos estar próximo para conhecer o outro intimamente? As cores muito bem definidas e presentes em cada momento reavivam e auxiliam a descrever o estilo de vida dos personagens narrados em seus respectivos ambientes. A cidade parece não ter vida mesmo com tanta beleza natural porque no primeiro momento marca a ausência de pessoas nesse cenário, são elas que fazem com que essa cidade tenha um movimento, uma beleza. Sutilmente as cores são destaques para dar sentido aos vizinhos da rua chamada desassossego contrapondo a serenidade daquela localidade.

A partir disso, é perceptível a mudança de certos valores tradicionais que foram alterados pela modernidade. O ambiente em que a vizinha vive, mas parece um ambiente masculino determinados pelas cores quentes e o vizinho vive o inverso desse universo, mas sereno, centrado e organizado. Fica implícito que para ela, o “doce lar” como descreve o tapete na entrada de seu apartamento é de acordo com o que ela construiu e não o padrão estabelecido do ponto de vista mais conservador. Isso define a mulher mais independente e preocupada em ocupar seu próprio espaço enquanto os deveres domésticos se tornam relevantes. Certa ocasião, esses “mundos” vividos em comum por esses vizinhos que pouco sabem sobre o outro possuem referências sobre o conhecimento do mundo externo de acordo com vivências distintas, uma viaja por vários lugares através dos livros e o outro através contato real.

Aparece uma terceira personagem quase imperceptível entre as ocupações da vizinhança do prédio, por não haver fala textual, o destaque é ilustrativo porque denuncia o preconceito social e racial que é associado à cor da pele que visualmente mescla com o chão do cenário. O zelador remete ao “Chavo El Ocho”, seriado mexicano famoso pelo personagem Chaves, que em português não um nome verdadeiro para ele, muito menos conhece o histórico familiar, mostrando o desinteresse da parte dos vizinhos. Ele é descriminado por ser morador de rua e suas roupas também possuem um tom neutro.

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